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Polícia Geral

Incidente em ato contra Projeto da Previdência deixa mulheres feridas

Rafael Vigna Editado em 27/03/2019

Incidente em ato contra Projeto da Previdência deixa mulheres feridas

Na foto, representantes de movimentos sindicais e estudantes cercavam o veículo envolvido no caso

Notícia atualizada às 19h07min do dia 22/03/2019

Por Juliana Tamaki, Eduardo Belmonte e Rafael Vigna

Em todo o País, a sexta-feira, dia 22, foi marcada por protestos contra o projeto de Reforma da Previdência enviado pelo governo de Jair Bolsonaro ao Congresso Nacional. Em São Borja, não foi diferente. Cerca de 20 representantes de movimentos sindicais e estudantes se reuniram no início da manhã, no acesso à ponte internacional. Com bandeiras e cartazes, eles passaram a interromper a circulação de veículos a cada 15 minutos.

Por volta das 8h, o motorista de um Chevrolet Ágile de cor prata se dirigiu ao acostamento na tentativa de conseguir liberação para chegar ao seu local de trabalho. Segundo os manifestantes, ele não teria respeitado o bloqueio e avançou sobre o protesto. De acordo com o condutor, o automóvel foi cercado por pessoas que tentaram retirá-lo do carro à força.

No tumulto, duas mulheres ficaram feridas. A jovem Tatiana Fraga, de 23 anos, estudante da Unipampa, teve escoriações nos joelhos. Uma representante do Cpers, que prefere não ser identificada, apresentava cortes nas mãos. Ambas se dirigiram à Delegacia de Pronto Atendimento da Polícia Civil.

Instantes depois do incidente, uma guarnição da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi deslocada para averiguar os fatos. No local, os agentes orientaram os feridos a registrarem um Boletim de Ocorrência. O veículo já havia ultrapassado a divisa com a Argentina, o que limitou a jurisdição e a ação da PRF.

De acordo com a estudante, Tatiana Fraga, o condutor se recusou a ouvir os propósitos do protesto. Ao prosseguir, derrubou a representante do Cpers. Neste momento, os manifestantes abraçaram o carro na tentativa de evitar o atropelamento.

“Ele continuou andando, mesmo com uma companheira caída. Quando conseguimos retirá-la do asfalto, o homem que estava transtornado arrancou bruscamente e atingiu outras pessoas próximas”, comenta a estudante que pretende realizar o exame de corpo de delito, na próxima segunda-feira, antes de ingressar com uma representação contra o condutor.

Um dos manifestantes, que também prefere não ser identificado, revela que, no momento do incidente, a sensação das pessoas que estavam atrás do Àgile era de que o condutor passaria por cima da representante do Cpers. “Quando ela caiu, o veículo continuou se movendo. Do ponto de vista de quem estava na parte de trás, ele estava atropelando uma pessoa. Por isso, algumas pessoas tentaram segurar o carro e pediam para que ele desse ré. Foi uma cena muito forte. Alguns chegaram a chorar”, sustenta. 

Uma pessoa ligada ao motorista envolvido garante que existe outra versão para o fato. Segundo a fonte ouvida pela Rádio Cultura e pela Folha de São Borja, o condutor pediu passagem pelo acostamento. Ele teria usado a frase “Por favor, me deixem passar. Preciso chegar ao trabalho”.

Segundo o relato, os manifestantes cercaram o automóvel e tentaram impedir a passagem, resgando a camisa do motorista e causando avarias materiais ao carro. O condutor informou que uma garrafa térmica foi utilizada para danificar a lataria. O para-brisa também teria sido trincado durante a confusão.

A mesma fonte revela que a manifestante “se jogou” sobre o carro que trafegava a uma velocidade inferior a 10 km por hora. “A verdade é que os manifestantes foram muito agressivos e chegaram a quebrar o para-brisa. O motorista prosseguiu em baixa velocidade”, assegura a fonte. Por isso, o condutor, que afirma ter testemunhas, também pretende registar ocorrência contra os manifestantes.

Participavam das manifestações Sindicatos e movimentos sociais como a CUT, Simusb, Rosas da Resistência, S.T.I Alimentação, Sindiágua, Andes, CSP, CPERS, Sindisaúde e Sindicato dos Comerciários.

Conheça os fatos e as versões envolvidas:

- O que diz o Boletim de Ocorrência registrado pela Estudante:Tatiana Fraga comunica que participava da manifestação ocorrida hoje no segundo trevo de acesso a ponte internacional de São Borja, e que ao tentar ajudar outra manifestante (fato narrado em outro B.O) também restou lesionada nos joelhos, pois o veículo Ágile ao arrancar do local acabou gerando lesões leves em seus dois joelhos. Informa que a outra manifestante registrou B.O onde a mesma também foi vítima de lesão corporal, causada pelo condutor do mesmo veículo citado. Deseja processar o condutor assim que o mesmo for identificado.

- O que diz o Boletim de Ocorrência registrado pelo motorista: Comunica que hoje por volta das 8h10min dirigia-se ao seu trabalho juntamente com sua esposa, tripulando o veículo da família, um GM Ágile de cor prata, e que ao chegar ao segundo trevo de acesso à Ponte Internacional deparou-se com uma manifestação onde varias pessoas estavam trancando a via publica. Que então o comunicante pediu para passar pelo acostamento, pois em seu trabalho havia caminhões parados com cargas críticas que precisavam ser liberadas pelo comunicante, fato que ocorreria na aduana. Que então os manifestantes impediram a passagem do comunicante o qual permaneceu parado no acostamento da via, pedindo passagem, em um momento o comunicante moveu o veículo lentamente tentando passar pelo acostamento pois não havia ninguém na sua frente. Nesse momento, os manifestantes que estavam no meio da via, dirigiram-se até o acostamento em direção ao veículo do comunicante e lhe agrediram tentando lhe tirar para fora do carro. Que ainda aproximou-se pela frente do veículo uma menina com uma garrafa térmica de chimarrão e uma cuia, a qual jogou-se sobre o capô do carro simulando um atropelamento. Que neste momento o comunicante novamente foi agredido por várias pessoas, as quais também causaram danos no veiculo do comunicante com socos e chutes, além de terem jogado sobre o carro uma térmica e uma cuia. Assim acabou por sair do local com medo de ser ainda mais agredido. Informa que saiu lentamente com seu carro até poder empreender uma velocidade maior e afastar-se da manifestação. Que restou com lesões leves no braço esquerdo e uma camiseta rasgada. Assim registra a presente ocorrência policial por lesão corporal, dano ao seu patrimônio e falsa comunicação de crime, pois os relatos até o momento não condizem com a verdade. Vai realizar o exame de corpo de delito.

- O que diz a Polícia Rodoviária Federal: Tal acidente não foi confirmado pela PRF, pois foram manifestantes que relataram que um veículo, que deslocou para a Argentina, teria derrubado uma mulher ao não querer parar no local da manifestação. Considerando que o fato não foi informado à PRF no momento, ou logo após, e de que não havia nenhum indício no local, inclusive a possível vítima não foi localizada, a equipe não efetuou o Boletim de Acidente, apenas orientando o registro na DP.

- O que diz a nota dos Estudantes Independentes de Licenciatura em Ciências Humanas-UnipampaLamentávelmente hoje uma lutadora e militante sindicalista do CPERS-Sindicato e a companheira estudante de Licenciatura em Ciências Humanas-Unipampa e representante discente de curso Tatiana Fraga, sofreram uma tentativa de homicídio por conta da brutalidade de um homem, no qual o mesmo avançou sobre o grupo de entidades com seu veículo causando um atropelamento em massa. Toda solidariedade à companheira e à todos que dedicam e dedicaram suas vidas por uma sociedade mais justa! 

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