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Vereador Paulo Cesar Cardial busca dar voz ao povo na tribuna

Rafael Vigna Editado em 10/07/2019

Vereador Paulo Cesar Cardial busca dar voz ao povo na tribuna

Notícia da Edição Impressa da Folha de São Borja de quarta-feira, dia 26 de junho

Por Luthero do Carmo e Rafael Vigna

Paulo Cesar Cardial (PDT) foi o oitavo entrevistado da série com os 15 vereadores de São Borja no Programa Atualidades, nesta segunda-feira, dia 24 de junho. Parlamentar de primeiro mandato, fiscalizador, ele pertence à bancada de oposição na Câmara. Na tribuna, se destaca por discursos incisivos na cobrança de resolução de problemas para a cidade, principalmente, na área da saúde. No Pequeno Expediente, busca dar voz às demandas apresentadas pela população em seu gabinete e nas redes sociais. Em 2016, recebeu 661 votos, ou equivalente a 1,81% do eleitorado de São Borja.

Folha de São Borja - Percebe-se, principalmente nas redes sociais, que o senhor angariou um grande número de novos simpatizantes desde a eleição em 2016. Quais são as suas principais ações para honrar os votos de confiança recebidos?

Paulo Cesar Cardial - Realizamos um trabalho não apenas visando os votos. Nosso trabalho é destinado aos moradores de São Borja e a contentar o povão. Se isso vai gerar novos votos é apenas uma consequência das nossas ações em quatro anos. É importante destacar que trata-se de um trabalho que não depende só de uma pessoa, mas de minha equipe formada pela Andresa do Carmo e pelo Luiz Charão. Minha esposa, Michele, também atua, de maneira voluntária, e tem 12 anos de experiência na condição de chefe de gabinete do ex-vereador e ex-prefeito Farelo Almeida (na época filiado ao PDT, hoje no PL). Deste modo, trabalhamos sempre em prol daquelas pessoas menos favorecidas. Também é bom ressaltar que este trabalho não se resume ao nosso mandato. Quando atuava em rádio, sempre realizei muitas ações para ajudar as pessoas.

Folha - Isso tende a trazer reflexos nos seus discursos. Sejam eleitores, ou os novos simpatizantes, as pessoas acabam encontrando uma voz na sua tribuna. Um dos momentos aguardados do Pequeno Expediente é o seu pronunciamento, que, em geral, apresenta problemas da população e passam a ser compartilhados em busca de resolução. Como o senhor realiza essa seleção?

 Cardial - São inúmeros chamados e reclamações. Muitas demandas relacionadas com a saúde, os atendimentos nos ESFs e o tratamento dos médicos com os pacientes. No Hospital Ivan Goulart (HIG) também somos chamados para resolver problemas de pessoas que encontram dificuldades no atendimento. Em dois anos e meio, foram 320 pedidos de providência e não necessariamente relacionados com a saúde. Há questões de infraestrutura, limpeza, podas e estradas do interior. Também trabalhamos muito com a comunidade do interior. Conhecemos o Ivaí, Mercedes, São Marcos, Samburá, Rincão de Santana, Rincão de São João, Nhu Porã, e várias localidades. Em resumo, o interior precisa de estradas e saúde. Nada além disso. Por essa razão, nossas cobranças são sobre estes temas.

Folha - O senhor também realiza um trabalho específico com o pescadores...

Cardial - Temos uma parceria, desde 2017, com a Marinha do Brasil. Neste aspecto, cerca de 350 pescadores tiveram suas demandas de documentação, renovação de carteiras, transferência de embarcações, entre outras, atendidas. Trata-se de um trabalho voltado aos pescadores profissionais. Realizamos, em 2017 e em 2018, nesta parceria com a Marinha, a regularização da carteira de 60 pescadores profissionais, que, antes, não possuíam o registro. Muitos pescadores foram beneficiados e existe a expectativa de abertura de mais um curso, para 30 pescadores, no segundo semestre, para regularizar estes profissionais.

Folha - O seu gabinete é bastante procurado pela população e o senhor também é muito atuante nas redes sociais...

Cardial - Hoje em dia, isso é essencial. Nas eleições presidenciais, isso ficou muito claro. Alguns não dão tanta importância para as redes sociais. Eu costumo dar muita atenção. Fico feliz quando sou marcado em alguma postagem que relata dificuldades. Com isso, tomo conhecimento dos fatos instantaneamente. Trata-se de mais uma ferramenta de fiscalização. Costumo entrar em contato e conferir pessoalmente as demandas. As redes socais são uma extensão do nosso gabinete. Não são todos que gostam. Eu, particularmente, peço que as pessoas continuem nos marcando. Fico feliz em ser chamado, em receber a confiança das pessoas e, mais feliz ainda, quando consigo resolver os problemas.

Folha - E quais são os problemas mais recorrentes na sua avaliação?

Cardial - Sinceramente, são as reclamações na área da saúde. Também algumas reclamações do interior com relação às estradas. Sempre pedimos que tragam fotos e registros dos locais mais distantes. No que se refere à saúde, recebi reclamações do ESF 15 sobre a atuação do médico daquela unidade. Não sei a razão, mas são muitas reclamações sobre o mesmo médico. Não tenho nada contra o médico em questão, mas as pessoas reclamam do mal atendimento. O que eu quero, na condição de vereador, de fiscalizador, é que as pessoas sejam bem atendidas. Não interessa por quem.

Folha - Com relação ao Hospital, que também é um tema recorrente das suas manifestações, qual é a reclamação que mais se repete?

Cardial - Não tenho nada contra os funcionários do HIG, é bom que se diga. O que chama a atenção, é que identificamos a necessidade de aumentar os médicos plantonistas. Isso não sou apenas eu quem diz, mas também outros colegas vereadores. Principalmente, no inverno e à noite. No sábado passado, por exemplo, recebi um chamado. Fui até o Hospital. Lá, estava uma gestante, sentada há quatro horas, apresentava sangramento e não tinha sido atendida. Isso porque chegaram duas ocorrências de emergência pelo Samu. Com apenas um médico plantonista, o caso da mulher foi considerado de menor urgência, mas também era uma emergência. Esses são os casos que nos fazem cobrar a contratação de mais um médico plantonista. Falta pessoal. Queremos apenas contribuir e ajudar. Quem ganha com isso é a comunidade. Um médico para atender a 120 pessoas no plantão, prejudica os atendimentos.

Folha - E o senhor costuma conferir pessoalmente e consegue comprovar que todos os casos são de urgência ou também identifica casos que não procedem?

Cardial - Algumas reclamações até poderiam ser atendidas nos ESFs. Às vezes, não é sempre, o PAM (Pronto Atendimento Municipal) está fechado. Estas pessoas que precisam de atendimentos de menor gravidade acabam indo ao hospital, superlotando a emergência e tirando o lugar de outras pessoas. Já aconteceram casos, principalmente, nas segundas-feiras. O bom é reforçar o pedido para contratar mais um médico plantonista, mais enfermeiras e técnicos. Casos como esses, que acontecem no dia a dia, acabam comprometendo o plantão. No sábado, um senhor pediu que eu fosse ao hospital, outra senhora me marcou em uma publicação e acabei indo. Cheguei às 23h e sai às 24h15min. Havia ainda 15 pessoas a serem atendidas. Resolvi esperar e pedi informações sobre o motivo da demora. Mas, nestes casos, costumam chamar a pessoa para o atendimento. Parece que a nossa presença ali é responsável por resolver e fazer as coisas andarem. Não entendo o motivo. Parece inexplicável, mas o fato de um vereador estar lá parece resolver.

Folha - Entre os projetos apresentados nestes dois anos e meio de mandato, quais o senhor destacaria?

Cardial - Foram 30 Projetos de Lei, sendo 3 aprovados. Há o “Empresa Amiga do Esporte”, que estimula empresas a contribuírem com doações de materiais esportivos e ações de fomento ao esporte. Existe uma Lei que define o mês de agosto como o mês do aleitamento materno, que denominamos como “Agosto Dourado”. Isso nasceu de uma luta, em 2017, por uma UTI Neonatal em São Borja. O projeto, agora lei, garante às mães o direito de amamentar em qualquer local público. Houve um fato, na Prefeitura, em que uma mãe foi repreendida por amamentar o seu filho em público. A partir disso, tomamos a atitude de apresentar o projeto, que acabou aprovado pelos 15 vereadores.

Folha - Existem dúvidas sobre a sua atual situação eleitoral em razão de um processo que gerou inclusive o cumprimento de pena alternativa. Já houve uma manifestação sua sobre o fato, mas muitas pessoas ainda questionam. O senhor está apto a concorrer no próximo ano?

Cardial - Estou respondendo por um porte ilegal de arma ocorrido em 2009. Já estou cumprindo a pena e faço de 2h a 3h por dia até completar as 730h previstas. Minha pena termina em maio, e minha ficha estará limpa. Foi uma opção realizar o trabalho comunitário ao invés de converter em cestas básicas. Cumpro a pena na Brigada Militar, onde realizo serviços gerais, limpeza, pinturas, etc. Não me cai nenhum pedaço. Faço com maior orgulho, porque, se eu errei, estou pagando pelo erro. No que se refere à reeleição, não afeta em nada. Sigo dependendo apenas do aval e da aprovação da comunidade para renovar ou não o meu mandato. Tenho muita gratidão com as pessoas que me colocaram na Câmara. É muito difícil entrar e honrar a Casa de Aparício Mariense. Tento fazer isso para que, no futuro, meus filhos reconheçam o trabalho honesto e transparente que realizei. Faço o possível para continuar trabalhando por aquelas pessoas que mais precisam. Isso não significa que eu seja contra os empresários, Muito pelo contrário, os parabenizo, inclusive, pelas dificuldades que enfrentam no dia a dia. O meu sonho, para que um dia São Borja consiga se transformar, é que tivéssemos união. É muito difícil, mas o dia em que se unirem PDT e Progressistas, por São Borja, virá verba de todos os partidos, e aí sim teremos uma transformação. É uma cidade muito política e quem perde com isso é a comunidade.

Folha - Dentro do seu trabalho de fiscalização, o senhor conseguiu instalar uma CPI para apurar a legalidade do empréstimo de uma máquina do poder público para uma empresa privada. Na primeira sessão, após a renúncia do vereador Carmelito Lunardine do Amaral (PT) e a retirada do suplente Djalma Leal Junior (PDT), o senhor acabou ficando sozinho, na condição de único representante da oposição em Plenário. Como o senhor avalia o prosseguimento da CPI? A oposição tende a apresentar mais união em torno desta apuração?

Cardial - Naquela sessão, não vi que o vereador Junior havia saído. Percebi e ouvi a renúncia do vereador Carmelito, que estava insatisfeito com os encaminhamentos dos governistas. Acredito que a CPI é coisa séria. Quando se trata de uma denúncia, com dados, provas, fotos, temos que verificar. Não tenho nada contra o diretor, ou contra o secretário, ou contra o prefeito. Só quero esclarecer e que se cumpra a Lei. Se pode ser emprestado, tranquilo, mas que se cumpra o que diz a Lei. Do contrário, chega uma empresa, ocupa uma máquina da Prefeitura, e quem vai fiscalizar se foi entregue em condições? Denominaram a CPI de “Maquineta”. Poderia até ser uma caneta. As pessoas precisam saber o que essa “maquineta” pode fazer. Para começar, ela gera lucro para empresa. Naquele dia em questão, fiquei em maus lençóis e não sei a razão pela qual não estavam todos lá apoiando. Fiquei sozinho contra os vereadores governistas. É a minha primeira CPI, sou novo na Casa, tenho muito o que aprender nesta parte e acabei ficando isolado. Não tenho nada contra ninguém, mas a Lei é para todos. O governo é maioria na Câmara. Por que não enviaram um protocolo autorizando o empréstimo? Com certeza isso seria aprovado. Portanto, vamos apurar, sim, e o objetivo é apurar se foi ilegal ou não. Uma hora é uma “maquineta”, mas e se fosse coisa maior?

 

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