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Fátima apresenta ações em defesa das mulheres e dos idosos

Rafael Vigna Editado em 25/06/2019

Fátima apresenta ações em defesa das mulheres e dos idosos

Por Luthero do Carmo e Rafael Vigna

Notícia da edição impressa da Folha de São Borja de 19 de junho

O programa Atualidades, da Rádio Fronteira FM, e a Folha de São Borja continuam a série de 15 entrevistas com os vereadores. A quinta convidada foi a vereadora Fátima da Rocha. Eleita pela primeira vez em 1996, ela é filiada ao PDT, faz parte da oposição na Câmara e está em seu quarto mandato. Em 2016, recebeu 733 votos, ou o equivalente a 2% do eleitorado de São Borja. Entre os focos de seu mandato, estão ações voltadas às mulheres, como a Sala Rosa, a Procuradoria da Mulher e iniciativas com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas idosas. Confira o que disse a vereadora, na manhã da segunda-feira, dia 17 de junho.

Folha de São Borja - Sabe-se que a senhora tem um eleitorado fiel e que lhe garante votações expressivas. Como a senhora trabalha para beneficiar esses eleitores?

Fátima da Rocha - Gosto de fazer as coisas pelos eleitores e pela população. Isso é uma maneira minha. Estou pouco na mídia, mas, sempre, trabalhando. Sempre que há eleição, alguém diz que não vou me eleger, mas na contagem dos votos estamos lá com o nosso trabalho reconhecido. O que vale é ter Deus no coração. Prefiro não fazer as coisas apenas para me promover.

Folha – De 1996, ano da sua primeira eleição, até hoje, o que mudou no que se refere às mulheres na política. De que maneira a senhora avalia a participação feminina na vida pública, seja na Câmara ou nas bases partidárias?

Fátima - É sempre algo muito difícil. Isso ocorre porque a política já vem com uma cultura machista. As mulheres se movimentam para entrar. Por outro lado, muitas mulheres ainda tem medo de participar, principalmente, em razão da exposição. Todo político está exposto. Ainda vejo pouca a participação feminina. Há alguns avanços, algumas mulheres passaram a buscar mais espaço na política, seja em esfera municipal, estadual ou federal. Nós, mulheres, somos a maioria do eleitorado, mas essa maioria não se reflete nas urnas. Isso pode significar, às vezes, que as próprias mulheres podem discriminar as outras mulheres que colocam seu nome à disposição e concorrem nos cargos eletivos.

Folha - Uma ação interessante deste seu mandato é a chamada Sala Rosa. A senhora pode explicar no que consiste essa ação?

Fátima - É uma iniciativa para o atendimento de mulheres vítimas de violência. Muitas não buscam a polícia porque ainda têm medo da exposição nas delegacias. Então, a Sala Rosa seria para dar um atendimento diferenciado. Isso está bem encaminhado. Mandamos a nossa demanda para a deputada Juliana Brizola (PDT). Ela já esteve reunida com o vice-governador, que também acumula a função de secretário de Segurança estadual, o delegado Ranolfo Viera Júnior (PTB), e estamos adiantados. Na sexta-feira, dia 21, a deputada estará em São Borja e vamos retomar o assunto para tentar essa implantação. Além disso, há um Projeto de Resolução, pronto na Câmara, para a implantação da procuradoria da mulher. Deve ir à votação. Esse projeto nasceu em razão da grande procura no nosso gabinete. Toda vez que alguém nos procura na Câmara, buscamos encaminhar as mulheres aos setores responsáveis. Mas, infelizmente, nós não temos em São Borja uma área de proteção às mulheres que são vítimas de violência doméstica. Não há casas de passagem para que elas fiquem protegidas. Isso seria importante, porque tem casos bem complicados. Elas precisam de um local adequado para que as mulheres vítimas não tenham que denunciar e voltar a viver sob o mesmo teto que seus agressores. Elas precisam se recuperar emocionalmente. A maioria das vítimas de agressão não possui fonte de renda e é dependente dos maridos agressores. Há também a questão dos filhos. Enquanto o município não contar com a proteção e o amparo a estas mulheres, nós, provavelmente, não vamos ter melhoras nesse quadro. O grande problema é a falta de apoio. As pessoas não sabem onde procurar ajuda. Até os idosos, mesmo, também sofremcom a falta de apoio. Há muitos casos de violência contra os idosos também.

Folha - Além disso, quais são as principais reclamações recebidas no seu gabinete?

Fátima - As principais são desemprego, falta de alimentação e problemas de infraestrutura nas ruas. As mais recorrentes são essas. Existem crianças sem leite e fraldas. Hoje em dia, a vida anda muito difícil em função do desemprego. Muitas são cadastradas na Assistência Social. Sabe-se que a secretaria não possui mais muitos recursos para cesta básica e alimentação. Existe o Restaurante Popular também. Mas, ainda assim, diariamente, cerca de 10 pessoas nos procuram sem ter o que comer. Hoje, em função do Dia D da Educação, várias pessoas nos procuraram porque não podem faltar ao trabalho e também dependem da alimentação. É muito difícil. Trocando um pouco de assunto, quando fui presidente da Câmara criei vários programas. Um deles era pra oferecer internet para os alunos de escolas públicas. Nós tínhamos mais de mil alunos que frequentavam este espaço para fazer os seus trabalhos escolares. Isso fora as outras pessoas que também precisavam. Era bem importante, mas foi desfeito quando não fui eleita em 2008. Outra coisa, é que a minha bandeira de trabalho é a pessoa idosa. Tenho muito apreço por essa população porque são pessoas que já contribuíram e trabalharam e, agora, ficam em casa na ociosidade. Às vezes até sem ter com quem conversar. Realizei alguns pedidos de providência encaminhados à Prefeitura para obter respostas sobre o que está sendo feito pelos idosos. Mas não recebi respostas. O departamento do idoso foi extinto e deixaram junto com os direitos humanos. Isso dificulta as políticas públicas. Várias pessoas nos reclamam. Há algumas semanas, estávamos com um problema nos contratos dos professores de educação física para os grupos de idosos. Agilizamos isso, participei da comissão especial, dei parecer favorável e conseguimos aprovar. Hoje, o programa foi retomado. A atividade física dos idosos, para o poder público, não é gasto, porque é prevenção em saúde. A pessoa que pratica reduz a procura nos ESFs. É muito importante este trabalho educativo e contínuo.

Folha - Inclusive nessa pauta a senhora votou em linha com a base do governo, quando a oposição ainda identificava problemas técnicos em razão das contratações estarem fora dos prazos...

Fátima - Eu votei favorável. Sempre digo aos meus colegas de bancada que, se o projeto é bom para a comunidade, se envolve saúde e educação, eu voto favorável. Agora, naquele momento, a oposição não tinha a intenção de atrasar o projeto. É que existia uma falha técnica nos prazos do projeto. Só por isso, mas deixei de lado esse problema. Se chega a voltar para a Prefeitura demoraria mais três meses.

Folha - Neste sentido, o que a senhora identifica como as principais demandas para as pessoas idosas, atualmente?

Fátima - Eles não pedem muito. Querem ter saúde, atenção e carinho. Sempre tentamos proporcionar isso. Já indiquei a criação do Dia da Maturidade Ativa e da Saúde da Pessoa Idosa. Seria um projeto permanente, que ficaria para sempre, independentemente, da administração. Quando trabalhei no departamento do idoso, eles viajavam. Aqui, em São Borja, muitos não conhecem sequer os nossos museus, nem as Ruínas de São Miguel. O projeto seria para promover este tipo de coisa. São questões simples, mas que fazem toda a diferença e não demandariam muitos recursos do erário público. Na secretaria de Assistência Social, criei o Projeto Cimento Cidadão. O objetivo era reformar a casa das pessoas idosas, em situação de vulnerabilidade. Ajudar a fazer uma janela, concluir um banheiro e outras melhorias simples. Depois o nome mudou para Pisando Firme. Agora, pedi informações sobre isso e não recebi a resposta. Não sei se há continuidade.

Folha - Em 2012, depois de um mandato afastada, a senhora voltou a Câmara na condição de governo. Este tipo de demanda costumava ser atendida de maneira mais rápida...

Fátima – Hoje, temos dificuldades. Já fiz vários pedidos e não recebi respostas. Inclusive no CEO (Centro Especializado em Odontologia), onde fazem próteses e tratamento de canal, recebo pessoas que estão esperando há três anos. Já pedimos e não nos responderam. Vou visitar o local para entender o que está acontecendo. Se é problema de demanda.

Folha - Em todos os seus mandatos o que a senhora aponta como os aspectos negativos e positivos da Câmara?

Fátima - Quando não se é vereador, quando se está fora do ambiente da Câmara, muitas pessoas, imaginam que o vereador é uma espécie de Deus, que teria o poder de resolver tudo. Imaginam que o vereador pode calçar todas as ruas, que pode fazer projetos gerando despesas para o município. Inclusive, alguns candidatos prometem tudo isso e não sabem que muitas coisas está acima da nossa alçada. Quando chega-se na Câmara, percebe-se que não é bem assim. O ponto positivo é que existem meios para conseguir fazer. Se não se pode fazer um projeto, é possível indicar ao prefeito. Na oposição fica mais difícil. Um projeto que apresentamos é sobre os terrenos baldios. Há muitos no Centro. Apresentamos o projeto para ampliar a fiscalização e a multa. Houve um parecer contrário, mas vamos apresentá-lo como indicação ao prefeito. Não é um projeto muito popular, mas é necessário, por questões de saúde e também de embelezamento da cidade. Estamos sempre à disposição dos amigos, das amigas e de toda a população. Eu trabalho assim. Gosto mais de agir. Agir é melhor do que falar. Sou uma política nata. Coloco meu nome à disposição para trabalhar pela comunidade. Votar é um direito do cidadão. Só através da política é que mudamos a realidade de São Borja. Convoco as mulheres a participarem mais ativamente da política. Vamos procurar os nossos espaços e arregaçar as mangas por uma cidade, um estado e um país melhor.

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