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Mano Lima e Rodrigo Bauer galopam sucessos na açoiteira da Internet

Rafael Vigna Editado em 21/03/2019

Mano Lima e Rodrigo Bauer galopam sucessos na açoiteira da Internet

Por Rafael Vigna
Notícia da Edição Impressa do Jornal Folha de São Borja de 16 de março de 2019 


Mano Lima está por cima da carne seca! Bagual por natureza e xucro por essência, se tornou sem a menor dúvida, o artista gaúcho mais popular da atualidade. Ao lado do parceiro de vida e estrada, poeta e compositor Rodrigo Bauer, ele ganhou o mundo à galope nas ondas do wi-fi, e descobriu na internet a açoiteira ideal para acelerar o tranco de difusão de sua obra.


Três sucessos ‘atracados’ nas crinas das paradas, em menos de seis meses, reforçam a nova fase do cantor. De maneira espontânea, com letras irreverentes, a dupla passou a utilizar, como poucos, as redes sociais para levar a tradição regionalista e a vida musicada do homem do campo a todos os rincões.

O estouro “Virou Linguiça”, por exemplo, foi lançado em setembro numa espécie de crítica a corrupção, em pleno período eleitoral. Ponteou o ranking das músicas mais executadas na categoria regional e foi escolhida a Melhor Música de 2018 pelo Concurso Melhores do Ano, promovido pelo site G1 da Rede Globo.

“Me dá um Xuxi”, aquela do início do ano, foi inspirada por uma fotografia de Mano Lima em um restaurante japonês. A imagem correu o mundo e obteve grande repercussão na Internet. A composição, por sua vez, esteve por muitas semanas consecutivas na condição de música regional mais executada no Estado. Também ocupou o 7° lugar entre todos os gêneros, superando nomes de expressão nacional como Naiara Azevedo, Luan Santana e até mesmo o sucesso "Jenifer", considerado o hit do verão pelo Programa Fantástico. O clipe do “Xuxi” já ultrapassa as 500 mil visualizações.

Agora, "Esse Apareio", lançada no Jornal do Almoço e na Rádio Gaúcha, em menos de 15 dias se tornou a música regional mais executada, dentro e fora do Rio Grande do Sul. A letra teve origem em um vídeo que mostrava Mano Lima atirando longe o seu celular. O gesto aconteceu durante uma entrevista, quando o “tal apareio” tocava insistentemente no bolso de sua bombacha.

A cena foi suficiente para que Rodrigo Bauer percebesse mais uma vez que onde há fumaça, há fogo. Em entrevista ao Programa Atualidades, da Rádio Fronteira FM, o compositor descreveu um pouco desta história. “Cheguei do campo ainda sem ter visto o alcance daquilo. Ao pegar o meu celular, percebi que o episódio já havia sido compartilhado em uns 30 grupos de WhatsApp. Então, minha esposa e meu filho me disseram: ‘Tu tens outra letra pra fazer’. Como sou um homem bem mandado, me sentei na hora, fiz e telefonei para o Mano, que sequer sabia do tamanho da repercussão”, conta Bauer.

A genialidade do movimento, entretanto, não está em criar as condições para viralizar uma canção. Muito pelo contrário, o ‘furo da bala’ é a naturalidade. “Algumas pessoas dizem que foi uma estratégia de marketing. Se fosse, nós estaríamos contratados pelas maiores agências de publicidade do planeta. Não é o caso”, garante. De acordo com o poeta, existem músicos que perseguem este tipo de sucesso e, às vezes, demoram uma vida inteira para emplacar um hit avassalador. “O que nos surpreende é que em um intervalo de pouco mais de seis meses conseguimos colocar estes três sucessos estrondosos nas listas de músicas mais ouvidas. Isto é fruto deste fenômeno midiático chamado Mano Lima”, salienta.
 

Autenticidade é a principal receita para romper fronteiras nas redes sociais


Trocando em miúdos, o segredo do sucesso artístico na Internet não está no planejamento. Isso dito por uma das fontes mais entendidas do assunto na atualidade: Mano Lima, é claro!

O novo ‘guru das estratégias virtuais’ é enfático ao afirmar que a chave para fazer o ‘estardalhaço’ nas redes sociais é, justamente, a autenticidade. “Às vezes, as pessoas acham que foi montado. Quisera eu, porque aí eu seria de uma inteligência genial. Só que não é a inteligência, é a luz interior que clareia a estrada dos homens. É a autenticidade que faz a diferença. Eu nem pensei nesse tipo de sucesso. Mas noto que a evolução vem me ajudando a espalhar o meu trabalho e olha que eu ainda nem sei lidar com ela”, brinca.

De fato, sem o auxílio da Internet, o alcance da mensagem seria muito mais restrito. Mano Lima lembra que - antes de “Me dá um Xuxi” - apenas “Vanerão Sambado”, do Gaúcho da Fronteira esteve entre os hits mais tocados em escala nacional. “Mas veja só como são as coisas. Essa tecnologia que eu tentava silenciar no vídeo foi o que acabou me favorecendo. Com isso, de maneira natural e sem muito esforço, rompemos as barreiras. É isso que também buscamos com a nossa música regional”, comenta.

Na garupa dos estouros no ambiente virtual, Mano Lima também identifica uma oportunidade de transpassar conhecimentos do passado e manter os aspectos mais puros e fundamentais da tradição gaúcha. Segundo ele, o Rio Grande do Sul é como a Bíblia do Antigo e do Novo Testamento. Deste modo, existe um gaúcho forjado pelas “cavaleadas e tropas alçadas” e outro pelos dias atuais. “O que tenho é medo de morrer e levar essas coisas que são da nossa cultura comigo. Poucas pessoas tiveram a oportunidade de viver nos dois Tempos. Por isso, tenho a obrigação moral de não guardar pra mim. Dizem que a tradição inventa coisas. De fato, existe muita fantasia, mas isso só acontece quando a verdade se omite. Quando não valorizamos o que é da gente, quem se dá mal é a gente mesmo”, explica.

Na análise de Mano Lima, mesmo nas músicas mais jocosas e engraçadas - marcas registradas de sua carreira - existe a preocupação de “rechear” o conteúdo com a tradição gaudéria. “Muitas vezes a minha música é uma trova, sem poesia, mas sempre há uma mensagem, tem algo que pode ser extraído. Procuro fazer isso de uma forma que não fique pesada pra que tanto o intelectual, quanto o bagual possam escutar. Até porque, o bem bagual mesmo não quer saber de muito recado em música”, divertese o cantor.


Reconhecimento, gratidão e uma homenagem às referências do passado


O segredo do sucesso da dupla também remete às referências do passado. Nas palavras do próprio Rodrigo Bauer, todo esse “estardalhaço” recente, mas também a sua trajetória vencedora nos grandes festivais de música nativista, possui uma “semente”  em comum chamada Apparício Silva Rillo. “É preciso termos a consciência, e temos, de que existiu alguém no passado que nos incentivou, nos descobriu e nos entregou no colo as nossas carreiras artísticas. A palavra é gratidão e é, a partir disso, que vem o respeito, o reconhecimento e, por consequência, o sucesso”, resume Bauer.

Por esta razão, Mano Lima, tempos atrás, resolveu doar um busto do poeta e fundador do Grupo Os Angüeras ao Poder Executivo. A estátua está pronta e o comunicado foi feito aos vereadores na sessão ordinária da Câmara na segunda-feira passada. Mano revela que o “presente” também é ofertado por Rodrigo Bauer e Miguel Bicca ao Município. O símbolo de Silva Rillo será colocado e inaugurado em local que ainda precisa ser definido, na Praça da Estação Férrea, nos próximos dias.

Rodrigo Bauer lembra que homenagens semelhantes, dentro do espectro da produção artística e cultural gaúcha, já são realidade para as memórias de Jayme Caetano Braun, em São Luiz Gonzaga, Noel Guarany, em Bossoroca, e Cenair Maicá, em São Miguel das Missões. Na avaliação de Rodrigo Bauer, São Borja possui quatro artistas de igual quilate. Pela ordem, ele evoca Vargas Netto, considerado um dos desbravadores da poesia do Rio Grande do Sul, Apparício Silva Rillo, José Hilário Retamozo e, mais recentemente, Mário Barbará. “São nomes e figuras que traçaram os seus caminhos e merecem nossas homenagens e reverências. Ou seja, gente para prestar homenagens nós temos de sobra, talvez nos faltem trevos e praças para tantas estátuas”, brinca o poeta.

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